quarta-feira, 29 de julho de 2015

Se perguntarem "ela escreve bem?" responderei de imediato que não, não escrevo bem, não domino todas as regras de nossa complexa Língua Portuguesa. Estudei um pouco, mas a Pedagogia não oferece muita base como o curso de Letras, imagino eu. Na verdade creio que os estudantes e pesquisadores de Filosofia dominem melhor essa arte. Pensa num povo que lê pra caramba!
Até convidei um amigo da área para escrever aqui, mas penso eu que meu humilde blog não está no nível dele. Ele é top. Ele é o que eu chamo de intelectual de fato.
Bem!
Mundos à parte, meu mundo existe. Estou aqui e gosto do que faço: sou professora de Educação Infantil e contadora de histórias. Desenho, ilustro livros infantis, sou mãe da pururuca mais linda do universo, meu grande amor e inspiração para continuar a viver e viver com arte, música, literatura infantil, desenhos, maquiagem, tecidos, bonecas de pano, filmes, doces, gordices, viagens, família... Tudo isso e mais um tanto! Tanto! Tanto! Tanto!
Vamos falar de música?

Trabalhar com música é... Melhor dizendo: Trabalhar com Música é uma honra!
Não tenho especialização alguma na área, mas um sonho possível. Fuço, escarafuncho, pesquiso do jeito que posso, tenho amigos da área que compartilham muita coisa rica comigo. Então, escarafunchando o que já existe no universo pedagógico, como Palavra Cantada e tantos grupos maravilhosos, monto, remonto, releio, adapto e crio projetos.
É uma área rica, porém que pede muito cuidado para não cair na pobreza do "motorista". Calma que vou contar uma breve história.

Há muitos anos atrás, mas muitos mesmo, uma professora colega de minha mãe também professora recebeu a orientação da coordenadora de um projeto do MEC de acolher crianças num Centro Comunitário e transformar numa sala de Pré (faixa etária de quatro a cinco anos de idade). O desafio? Dividir quarenta crianças em duas turmas de vinte cada. A professora mais jovem selecionou minuciosamente os alunos mais sapecas para passar para minha mãe, que na época era mais velha que ela. Quando eu digo "sapecas" leia-se "crianças dispostas a matar filhotes de gato à pedradas atrás da escola". É, minhas caras leitoras pedagógicas... Pensem numa turma terrível. 
Mas voltando ao foco: a música. A outra professora cantava todo santo dia a mesma cantarolinha batida: 

MOTORISTA
MOTORISTA
ATENÇÃO, ATENÇÃO
OLHE PARA FRENTE
OLHE PARA FRENTE
FOM FOM FOM FOM FOM FOM

Nada contra a cantiga, cantarola, musiquinha, toadinha, vinheta ou sei lá o quê!
A crítica seria para a repetição incansável. Todo santo dia. Eu disse TODO SANTO DIA MESMO.
Nem se falava em projetos nessa época tecnicista.

Toda experiência dura, amarga, um dia vira lição. E a lição que aprendi para refletir anos depois, eu que na ocasião tinha nove anos de idade e ajudava minha mãe brincando com as crianças no intervalo, hoje, adulta, com mais de trinta anos e uns quinze de carreira, imagino como seria bom conhecer o repertório de hoje, os grupos de músicos de verdade que nos ensinam tanto! E numa dessas oficinas maravilhosas que saímos arrebatadas quase flutuando de felicidade tive a oportunidade de compor, junto com um grupo maravilhoso, uma música! Cantarolinha? Musiquinha? Vinhetinha? Cantiga? Não sei, mas é assim:

CHUVA! CHUVA! CHUVA! CHUVA!
TANTO, TANTO, PINGO CAINDO...
PING PLOC...PING PLOC... ping ploc (mais baixo...sumindo...)

A grande diferença é que foi um processo: tivemos aulas, conversas, acompanhamento de piano, exploração de sons, contexto...Foi mágico! E a professora de Música além de nos ensinar a compor, ainda compartilhou muitos materiais incríveis. Resultado: Descobri que não existe só Palavra Cantada para trabalhar na Educação Infantil. Eles são maravilhosos sim, amo e uso muito. Mas a família cresceu.
O olhar amplia com conhecimento. O conhecimento vem se buscamos fontes, se nos interessamos e pesquisamos. É TBC: Tirar a bunda da cadeira, mesmo.
Só para cutucar um pouquinho, uma lista de artistas maravilhosos que recomendo demais:

Lenga la Lenga
Parangolé Cia Emcantar
Cia Tempo de Brincar
Tiquequê
Grupo Tri
Curupaco
Babado de Chita
Barbatuques
Nélio Spréa
Bia Bedran


E calma que vem mais por aí. 

Com minha atual turma de Educação Infantil observei desde o início do ano um interesse especial por música. Como descobrimos? Oferecendo BOA música!
Cantigas de nossa rica cultura popular brasileira, clássicos, coletâneas de gente que pesquisa de verdade! Que viaja por todo o Brasil e revira o domínio público.
Ah que saudade das brincadeiras de ciranda... O material didático é farto, mas a preguiça contemporânea boicota muitas atividades interessantes e projetos.
Outro equívoco é confundir Música com musicalização. Claro que são termos atrelados, mas é comum, no meio pedagógico, a confusão de trabalhar cantigas, de forma seca e sem graça, cantar por cantar como papagaios e ficar nisso.
Jesus nos defenda!

Que som?
Que som é esse?
Tá ouvindo?
O som da natureza...
O som das minhas mãos!
Do meu corpo!


Há muito o que se explorar. Mexer e remexer! Bolar e rebolar!

E o mais divertido é saber que as artes se entrelaçam. Artes plásticas, literatura... Artes cênicas! A Música está em tudo o que há de melhor. E há boas leituras sobre. Conhece a Teca?

Em minha cidade Londrina, a livraria Ciranda Arte e Educação é a mais completa para investimentos e encomendas. Claro que transito nas lojas de instrumentos musicais também, como a Sonkey.
Compartilhem suas experiências.

Beijo da Suzue
Imagem reprodução




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