segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Folclore

Nunca é tarde para se trabalhar o folclore. Não sou adepta a “indústria das festas”. Acredito num trabalho pedagógico que compreenda que esta equivocada diretriz de se basear conteúdos em datas comemorativas “datou” há muito tempo...
Particularmente trabalho com a cultura popular brasileira o ano todo!
Por isso vou hoje compartilhar um projeto que estou dentro dele ainda (afinal projeto é algo inacabado, apenas um plano de ação flexível a mudanças, remodelações, está sempre em andamento...)
Nem me preocupei em configurá-lo nas normas ainda, são ideias que fazem parte da realidade da minha turma de E.I 6 que compartilho aqui com vocês.
Percebo amigas e colegas de trabalho perdidas, porém com muita vontade de dar asas ao folclore. Gerações que participaram deste tesouro cultural e desejam o mesmo para seus alunos. Nunca é tarde! Se o natal bater à porta diga pra passar mais tarde! O folclore ainda merece maior destaque! E vamos que vamos!

Advirto que ainda é um rascunho... Sinta-se à vontade para modificar e adaptar o seu à sua realidade. 

Instituição:

Título do Projeto: A Arte de Cantar e Encantar com o Folclore Brasileiro

Justificativa

Na atual sociedade contemporânea as tecnologias eletrônicas sufocam nossas crianças pelo consumo e isolamento. As atividades de lazer fogem do propósito de interação coletiva e movimento.
No mundo das brincadeiras da cultura popular, de domínio público a imaginação encontrou e ainda encontra campo fértil para habilidades inventivas, brincadeiras criadas na rua em momento rico de inspiração de uma mente limpa desprovida de determinantes incentivadores de consumo,  do “ter  para ser” e individualismo. Na criação e diversão com parlendas, adivinhas, cantigas de rodas, trava-línguas e tantas outras brincadeiras de custo zero a agilidade mental era exigida e desenvolvida. Privilégio das gerações que vivenciaram e desfrutaram deste tesouro cultural. Clássicos eternos.
Para nossa surpresa e felicidade a magia ainda acontece. A geração denominada “Z”, que nasce conectada ainda se encanta com coisas simples que faz o olhar do outro aparecer e brilhar contagiando a todos ao seu redor. Nesta perspectiva este projeto tão singelo, porém com significado de resgatar o que realmente era bom tem como objetivo de levar gerações atuais a sentirem-se pertencidos neste tesouro cultural. Projeto este que nasceu do próprio interesse das crianças do E.I6A na hora do conto realizada ainda neste ano presente.

Objetivos

Levar os educandos a:
ü  Despertarem o interesse e valorizar parte do tesouro cultural brasileiro;
ü  Desenvolver habilidades que contemplam todos os eixos propostos na Educação Infantil: Arte, Música, Movimento, Linguagem Oral e Escrita, Matemática, Natureza e Sociedade;
ü  Sentirem-se pertencidos dentro da construção e reconstrução deste patrimônio literário;
ü  Despertar o gosto pela música a partir de cantigas e brincadeiras cantadas;
ü  Movimentar-se de forma lúdica, interagindo com o grupo, percebendo assim a importância da coletividade social;
ü  Descobrir criações de domínio público e inspirar-se pra futuras produções de autoria própria;
ü  Diversificar gêneros textuais como contos de riso, susto, esperteza...
Fazer parte de um projeto colocando seu ponto de vista, interesses, experiências e inquietações que surgirão no processo de trabalho inacabado.

Conteúdos

Histórias, registro gráfico, construções plásticas, oficina de música, brincadeiras regionais, brincadeiras de rua, confecção de brinquedos com peteca, pião, bil-bo-quê entre outros... Arte de costurar com retalhos, dramatização, culinária típica, produções textuais, jogos de mãos, danças e outras bugigangices e parafernálias.  

Metodologia

Serão realizadas rodas de conversa para apresentação e compartilhamento dos materiais teóricos, sonoros e objetos dramáticos.
Cada aluno construirá um livro pequeno e próprio para registrar suas releituras de contos, parlendas e cantigas favoritas. Será dada ênfase nas cantigas e dramatizações, justificando o tema “A Arte que Canta e Encanta”.
Muitas brincadeiras de rodas em espaços escolares variados serão realizadas, de escolha aleatória da turma.
Produções textuais com releituras de contos e novas criações das crianças serão registradas em papel pardo e canetas hidrográficas.
Trabalhos coletivos serão realizados com intenção de promover interação entre grupos, na construção de cenários, bonecos de sucata, entre outras atividades plásticas.
Teatro na sala de aula e outros espaços serão realizados para interpretação de contos, cantigas e parlendas.
Jogos com personagens serão criados pelas crianças com mediação do professor para organizar regras e objetos auxiliadores, como percurso, jogo da memória e adivinhas.
Caixa-surpresa para a roda da novidade contendo algum objeto (um por dia) que remeta a ideia de brinquedos artesanais, de séculos de encantamento como peteca, pião, bolinhas de gude...
Promover discussões para que as crianças falem, expressem suas curiosidades, indagações, ideias, experiências...

Situação problema inicial

A turma do E.I6A quando em contato com histórias de assombração e cantigas demonstra forte interesse e entusiasmo. Mesmo os meninos que não se interessam tanto por cantar demonstram expressivo contentamento em participar das parlendas cantadas, trava-línguas e outras cantigas. Música com instrumentalização também é um ponto de interesse e inquietação da turma. Mesmo o tema “folclore” sendo ainda abstrato para eles a curiosidade por saber “quem inventou essas histórias” ou “bicho-papão existe mesmo” direcionou para um possível caminho de descobertas e pesquisa para aprendermos juntos mais e mais sobre a cultura popular brasileira e suas origens. Outro fator e situação é o fato de a maioria já estar com seis anos de idade e seu poder de abstração um pouco mais amadurecido que na idade anterior. Os alunos demonstram compreender e se interessar mais por histórias longas, de mistério e suspense. O interesse por mitos e lendas aumentou. O que era tão abstrato parece agora objeto palpável de indagações e exploração. É comum ouvir na sala “leia pra mim professora, o que diz nesta parte do livro”. Querem saber mais sobre monstros que o povo conta. E a compreensão de adivinhas evoluiu. O que antes eram frases desconectadas e desencontradas, agora apresenta a busca por algo que faça mais sentido para compartilhar com a família. A adivinha ganha reflexão e constatação do resultado. E este precisa ser satisfatório e não mais mera repetição e risada endurecida.

Material escolhido

ü  Obras de Ricardo Azevedo: Meu Livro de Folclore e Contos de Bichos do Mato
ü  Obras de Theodora Maria Mendes de Almeida
ü  Cantigas organizadas em coletâneas com parlendas e trava-línguas do grupo  Palavra Cantada
ü  Clipes de histórias folclóricas e cantigas do grupo Cia Tempo de Brincar

Atividades e cronogramas

As atividades norteadoras foram descritas nos conteúdos e metodologia. Porém elas irão tomando novas formas diante das escolhas, pontos de vista e sugestões das crianças.
Tempo estimado de desenvolvimento: um semestre.

Dinâmica:

Avaliação inicial: sondagem para levantamento de repertório; encaminhamento de ações (avaliação contínua e replanejamento); sistematizações do conhecimento (finalização e avaliação somatória);
Avaliação do projeto pelos educandos e pelo educador
Recursos necessários
Materiais artísticos básicos: Tinta guache, lá, tecidos, canetinhas, lápis de cor, papéis para desenho, papel pardo para cartazes e murais, sucatas, figurino com tecidos, maquiagem infantil, aparelho de som para tocar cd, televisão e aparelho de dvd, materiais dos devidos autores referidos no início do projeto, entre outros badulaques que as crianças forem sugerindo.

by: Renata Suzue

Sugestão de leitura: Projetos Pedagógicos na Educação Infantil- Maria Carmen Silveira Barbosa e Maria da Graça Souza Horn

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Participe! Dê seu pitaco, publique sua dúvida e sugestões!