sábado, 1 de setembro de 2012

Dica de leitura: A Psicanálise dos Contos de Fadas

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1980.

Em A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS, Bruno Bettelheim faz uma radiografia das mais famosas histórias para crianças, arrancando-lhes os seu verdadeiro significado.
Os contos de fadas, considerados por pais e educadores até pouco tempo como “irreais”, “falsos” e cheios de crueldade, são, para as crianças, o que há de mais real, algo que lhes fala, em linguagem acessível, do que é real dentro delas. Os pais temem que os contos de fadas afastem as crianças da realidade, através de mágicas e de fantasias. Porém, o real, a que os adultos comumente se referem, é o externo, é o mundo circundante, enquanto que o conto de fadas fala de um mundo bem mais real para as crianças. E deixa isso bem claro quando situa as histórias na “Terra do Nunca”, ou no “Era uma vez um país muito longe...”, ou “Numa época em que os bichos falavam”, evidenciando, assim, que não se trata do aqui, nem do agora da realidade adulta, mas de um território fora do tempo e do espaço.
Durante muito tempo, os contos de fadas jazeram esquecidos, desprezados e banidos sob a alegação de irreais e selvagens, em vista de suas tramas sempre altamente dramáticas. Depois que a psicanálise desmitificou a “inocência” e a “simplicidade” do mundo da criança, os contos de fadas voltaram a ser lidos (e discutidos), justamente por descreverem um mundo pleno de experiências, de amor, mas também de destruição, de selvageria e de ambivalências. A psicanálise provou que, na verdade, os pais temem que os filhos os identifiquem com bruxas e monstros, ogros e madrastas e, em consequência, deixem de amá-los. Porém, ao contrário, podendo vivenciar tudo, identificando-se e aos pais com os personagens dos contos, os filhos tem sua agressividade diminuída, podendo amar os pais de maneira sadia. O conto, assim, contribui para um melhor relacionamento familiar, desmanchando as fontes de pressão agressiva que, caso contrário, seriam dirigidas aos pais.
Entretanto, a maior contribuição dos contos de fadas é em termos emocionais, propondo-se – e realizando concretamente – quatro tarefas: fantasia, escape, recuperação e consolo. Desenvolvem a capacidade de fantasia infantil; fornecem escapes necessários falando aos medos internos da criança, às suas ansiedades e ódios, seja como vencer a rejeição (como em “João e Maria”), ou os conflitos edípicos com a mãe (como “Branca de Neve”), ou a rivalidade com irmãos (como em “Cinderela”), ou sentimentos de inferioridade (como em “As Três Plumas”). Os contos aliviam as pressões exercidas por esses problemas; favorecem a recuperação, incutindo coragem na criança, mostrando-lhe que é sempre possível encontrar saídas; finalmente, os contos adultos consideram “irreal” e “falso” é a grande contribuição que os contos fornecem à criança, encorajando-a à luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva na vida.
A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função de divertimento, a linguagem simbólica do inconsciente que estão subjacentes nos contos infantis.
Bruno Bettelheim, reconhecido em todo o mundo como um dos maiores psicólogos infantis ainda vivo, acatado principalmente por seu trabalho com crianças autistas, nasceu na Áustria em 1903. Graduou-se na Universidade de Viena e foi para os Estados Unidos em 1939, depois de passar um ano nos campos de concentração de Dacgau e Büchenwald. É professor de Educação, de Psicologia e de Psiquatria na Universidade de Chicago e autor de vários livros consagrados.
Tradução de Arlete Caetano
 
Pitaco da Renata Suzue

É uma obra espetacular minha gente. Digna de ser adquirida e compor nosso kit de contadores de histórias, educadores, pais, tias... Traz reflexões interessantes sobre os contos de fadas, sobre a busca do clássico, do original sem adaptações que na maioria das vezes rouba muito da obra, da magia da criação do autor.
Não me imagino sem este livro. Preciso dele sempre. Quem me indicou foi uma linda da Universidade Estadual de Londrina, mestra da área em um curso ministrado sobre contação de histórias. Faz tempo, mas a sementinha brotou e se transformou em uma frondosa árvore de histórias... Por isso tenho a alegria de compartilhar com vocês.
Se você já conhece, comente! Se não conhecia, comente também!

by: Renata Suzue Ogata




2 comentários:

  1. Está na minha lista de desejos!!!! Mas só compro quando terminar de ler o Fadas no Divã!! XD

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    Respostas
    1. eu tenho este livro ele e muito interresante fala de coisas extraordinarias que me interesou muito.estou ainda começando a ler mais pelo oque eu ja li e muito bom.

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