terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sem assunto nunca!

Eu curto muito o escritor Saramago porque ele diz que para escrever precisa em  primeiro lugar: sentar. E depois escrever!
É um trabalho diário segundo ele. Não adianta ficarmos com desculpinhas esperando chegar "aquela" inspiração... Afinal, e se ela não chegar?
Comprometi-me a blogar no Tralalá Pedagógico exatamente para ajudar amigas e colegas e trocar ideias com leitores, educadores, entre tantos.
Mas aquela preguicinha vai batendo, outros compromissos nos engolindo... Ah não! Vou remar contra a maré. Ajudem-me!
Vou falar um pouco hoje sobre planejamento na educação infantil.

Existe um padrão?

Vejo colegas se batendo daqui dali em busca de um padrão, de um modelo, de um norte!
Mas aí, após o esperado norte, chegam os “detalhames”.
Como fundamentar um objetivo? 
 Como justificar um curupira de papel mache? Como deixar clara minhas metodologias e desenvolvimento das atividades?
O tio Google tá aí pra inspirar ou complicar nossa vida. Encontramos modelos de planos prontos, porém, na hora de sentar e escrever o nosso, puf! As palavras desaparecem como feitiço da bruxa fedorenta!
Gosto de escrever. Encontro até dificuldades para resumir, ser objetiva e sucinta.
Gosto de deixar claro no meu texto ou planejamento escolar o que eu quero fazer e qual objetivo desejo alcançar.
Não estou declarando que escrevo bem, que meu planejamento é “o correto”. Mas, não me sinto insegura na hora de elaborar. E para chegar neste momento da minha vida docente, foi uma longa caminhada e ainda estou caminhando...
Procuro selecionar temas, assuntos interessantes, vivo pesquisando teorias, livros, elementos da natureza e procuro observar as curiosidades dos alunos em relação a determinados conteúdos científicos, como por exemplo, o fascínio dos pequeninos por sementes, plantas, insetos... As habilidades manuais das meninas brincando de salão de beleza e panelinhas. A euforia dos meninos quando passa um avião no céu ou gavião. Coisas assim, relacionadas aos conhecimentos humanos historicamente organizados. Não acredito no cotidiano por cotidiano. Nossos alunos, por menores que sejam podem e devem ter contato com conhecimentos sistematizados. Claro que pensaremos pedagogicamente em uma linguagem pertinente a faixa etária, adequações necessárias, cousas e lousas...
Após escolher um tema relevante, foco nos objetivos: O que eu quero ensinar com este conteúdo? Como ele se encaixará nos eixos da Educação Infantil?
É raro quando de um determinado tema não se extraia os respectivos eixos: Música, Arte, Matemática, Movimento, Natureza e Sociedade, Linguagem Oral e Escrita.
Eu arranco os cabelos, estico daqui e dali, mas consigo explorar possibilidades do tema escolhido que envolva os eixos. Na verdade são eles que nos ajudam a tecer e costurar a colcha de retalhos do conhecimento para nossos pequeninos.
“Ah, mas o que vou esperar deles agora, só desenhar e pintar?”
O trabalho pedagógico é árduo, somos pesquisadoras eternas, insatisfeitas e angustiadas por mais e melhor. Isso nos faz cientistas da educação. Exagero? Realidade da p-e-d-a-g-o-g-a.
O desenho infantil ou registro gráfico fala mais do que uma monografia. Mas para interpretar este rico trabalho infantil precisa-se fundamentar o nosso. Contextualizar as atividades propostas, caminhar junto com os alunos percorrendo o processo de nosso projeto ou tema planejado.
Percebem as ferramentas científicas? A observação constante, o registro, as produções artísticas, as rodas de discussão...
De forma lúdica, curiosa, interativa, levamos nossos pequenos para um mundo cheio de coisas pra cutucar!
A justificativa.
O que te levou a escolher determinado tema para trabalhar com seus alunos? De onde ele nasceu? Justifique esta rica escolha. E se ela for uma escolha meio jururu, meio borocoxô... Vazia de justificativa... Questione. Reelabore. Comece tudo outra vez.
Objetivos
O que você deseja ver de diferente na vida do seu pequeno aluno após este trabalho? Quando ele vir um lagarto, uma imagem, uma foto... O comentário dele será diferente? No futuro, fará diferença na vida intelectual dele este projeto? O assunto é uma sementinha para o futuro escolar desse aluno?
Para compreender a linguagem escrita dos objetivos não tenha vergonha de bisbilhotar materiais confiáveis como a Revista Do Professor, livros didáticos de Educação Infantil, projetos bem conceituados, com o tempo pegamos a manha de escrever o nosso texto. Quanto mais ler, mais fácil será de elaborar sozinha. (Se bem que nunca trabalhamos sozinhas, os livros são nosso melhores acompanhantes)
Metodologias
Criança gosta e precisa pular dançar, brincar, desenhar, pintar, inventar coisas, mexer em cacarecos, cantar, falar e falar e falar! Precisa também saber se organizar, dar à vez para o outro, viver em coletivo, desenvolver habilidades sociais, ambientais, cuidar do corpo e do outro. Dentro dessas ações podemos encontrar estratégias, dinâmicas, muitas ideias bacanas para costurar em nosso projeto. Brincadeiras de quintal é ciência brasileira minha gente! (Não precisa sair comprando “como fazer” nas bancas, sebos e livrarias)
Recursos
Temos aí hoje em dia de tudo um pouco. Recursos de mídia (parafernália eletrônica, computadores, data show, dvd, pen drive...), recursos audiovisuais (vídeo, aparelho de som), recursos artísticos (meus favoritos I), recursos bibliográficos (favoritos II), recursos musicais (refiro-me a ricos materiais de profissionais do ramo que ensinam a música brincante com cacarecos sem fim), recursos malucos (sempre dá pra inventar coisas com sucatas e objetos inusitados). Recursos recreativos: Bolas, cordas, caixas, brinquedos... Só não pode ter preguiça de listar o que você vai usar para que sua coordenadora pedagógica possa participar do trabalho por meio do seu planejamento. Lembre-se que a pessoa que vai ler seu projeto ou planejamento semanal de aula precisa entender seu trabalho por meio de sua escrita.

Avaliação
Não tem maneira melhor do que se valer de gravador, filmadora, máquina fotográfica e o instrumento mais caro de todos: Papel e caneta. Precisamos anotar no mesmo dia os destaques do trabalho desenvolvido (pois professor costuma ter memória de peixe para algumas coisas), para com calma avaliar tudo, processualmente (sem registro o processo vai pelo cano), com um bom material de estudo.

E tudo fica leve!
Quando dominamos determinado assunto, ou prática pedagógica, ou ação planejada, intencional... Ah... Escuto uma música no fundo, o barulho calminho do mar no fim da tarde, um suspiro aliviado de "até aqui deu certo", agora é começar tudo de novo, e de novo, e de novo...

Bom trabalho!

by: Renata Suzue
Imagem: Reprodução

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